Emoção de segunda mão

Emoção de segunda mão
Mercado de superesportivos e carros de alto luxo e esportivos semi-novos esbanja números impressionantes

A compra de um superesportivo envolve muito mais do que um bom negócio – envolve também uma forte carga de adrenalina. Por isso, a decisão de comprar um superesportivo semi-novo pode representar um rasgo de lucidez numa transação puramente emocional e que envolve somas impressionantes.
Por exemplo, uma Ferrari 599 GTB Fiorano ano 2009, com menos de 2 mil quilômetros rodados pode chegar à estratosféricos R$ 2 milhões. O preço médio de um Lamborghini Gallardo LP560-4 ano 2010 é de R$ 1,3 milhão, enquanto um Porsche 911 GT2 2009 gira em torno dos R$ 1,1 milhão. O comprador desse tipo de carro usado está acostumado a ter tratamento "vip". Para atender a essa demanda, as próprias concessionárias montam áreas específicas para semi-novos superesportivos ou modelos de alto luxo, com atendimento especial e informações para ajudar o cliente a decidir sua compra.

Atraído principalmente pelo menor preço em relação aos veículos novos, o público que compra semi-novos de alto luxo procura garantia de qualidade e procedência. "O usado muitas vezes é a porta de entrada para o segmento premium, o comprador arrisca menos comprando um usado em função do menor preço", explica Flávio de Oliveira, gerente de marketing do Grupo Caltabiano, representante oficial de marcas como Mercedes-Benz, Volvo, Mini e Land Rover. O crescimento foi tamanho que já se pode notar o surgimento de um subsegmento dentro do mercado de usados, com a comercialização de veículos semi-novos com preços entre R$ 150 mil e R$ 300 mil. Em cinco anos, esse nicho quintuplicou de tamanho.

Apesar de serem valores altos, em média, a diferença entre um carro de luxo ou superesportivo com menos de um ano de uso para um zero quilômetro na concessionária pode superar os 10%. Um Mercedes-Benz C63 AMG ano 2009 custa cerca de R$ 290 mil, R$ 20 mil a menos que o zero quilômetro. Além disso, a maioria já está com o IPVA do ano pago e as revisões em dia, além de manter a garantia de fábrica, que desse tipo de automóvel normalmente é de três anos.
Ferrari 599 GTB Fiorano


 
Para os donos das chamadas concessionárias premium, o momento não poderia estar melhor. "O mercado cresce a cada ano que passa" revela Leonardo Cobucci, proprietário da loja multimarcas Elite Motors, de Campinas, no interior de São Paulo, que exibe com orgulho em seu showroom uma Ferrari F430 Spider 2008 equipada com um V8 de 490 cv à venda por R$ 1,3 milhão. Muitas lojas têm clientes fiéis, que abandonaram os negócios com concessionárias e passam a buscar sempre os semi-novos para poder ter seus desejados brinquedos. "Se o cliente procura um modelo específico, mas que não está na loja no momento, ele é avisado logo que conseguimos um", explica Eduardo Alves, consultor de vendas da Via Itália, revendedor oficial da Ferrari no Brasil. São clientes que às vezes trocam de carro mais de uma vez ao ano, o que provoca o surgimento de ofertas no mercado com baixíssima quilometragem e ainda na garantia. "A pessoa compra, se diverte e vende logo", completa Flávio de Oliveira, do Grupo Caltabiano.

Apesar dos altos valores em jogo, são carros que não costumam demorar muito para serem revendidos. "Alguns clientes já chegam procurando um modelo específico que está na loja e nem querem ver outros carros. Outros têm apenas uma ideia do que procuram", explica Flávio. A fuga da lista de espera das concessionárias por modelos pedidos por encomenda ou importados em baixas quantidades para o Brasil leva muitos a procurar as lojas multimarcas. "A concessionária me pediu no mínimo 120 dias para trazer meu carro. Encontrei um modelo idêntico com menos de 2.000 km rodados por R$ 15 mil a menos. Fechei negócio na hora", conta o empresário carioca Roberto Ramos, proprietário de uma Mercedes-Benz CLS. Há também aqueles que procuram apenas mais um carro para suas garagens, que poderá ser usado por toda a família. Ou para servir de reserva para dias de rodízio, prática muito comum entre os paulistanos. O alto poder aquisitivo e o nível de exigência desses consumidores os afasta de um carro "comum".

Os usados "top" podem chegar à loja para serem revendidos pelos mais variados motivos. "Já aconteceu de um marido comprar um carro novo de surpresa para a mulher e ela não gostar. O carro veio para a loja com pouco mais de 100 km rodados", conta Flávio. Modelos com valor mais alto – geralmente acima dos R$ 500 mil – costumam ficar por consignação nas lojas de semi-novos. "Marcas muito exclusivas, como Ferrari ou Lamborghini, geralmente demoram mais a ser vendidos", avalia Oswaldo Cruz, diretor da multimarcas Motoracing Imports, de São Paulo.

Porsche 911 GT2


Instantâneas

# Uma Ferrari usada chama muita atenção nas lojas e às vezes serve para atrair compradores para o restante do "estoque vip".

# A diferença de preço entre um Mercedes-Benz C63 AMG zero quilômetro e outro idêntico visualmente, mas com um ano e meio de uso, pode chegar a R$ 100 mil.

# Toda loja é obrigada por lei a dar 90 dias de garantia total para veículos semi-novos.

# Entre os superesportivos usados, o mais popular é a nova Ferrari 458 Italia, que já tem unidades com menos de 1000 km rodados por R$ 1.300.000.

# As marcas mais desejadas por quem procura carros de luxo usados são Audi, BMW e Mercedes-Benz.

Mulheres ao volante

Outra mudança recente no panorama do mercado de automóveis usados de alto padrão é a entrada das mulheres nas negociações. Não somente como espectadoras ou apenas para dar opiniões sobre o modelo a ser comprado, mas usando recursos próprios para comprar seu carro de uso pessoal. A criação de áreas de semi-novos dentro de concessionárias conhecidas dá confiança para elas escolherem seus carros sem medo de serem enganadas por vendedores que tentem se aproveitar do suposto desconhecimento sobre carros das mulheres.

"Elas geralmente vêm acompanhadas de um amigo, ou mesmo marido, que ajuda na escolha do modelo ideal, mas é sempre a mulher quem bate o martelo", afirma Flávio de Oliveira, gerente de Marketing do Grupo Caltabiano. A escolha delas por modelos premium também ocorre devido à maior confiabilidade mecânica de marcas como BMW e Mercedes-Benz. "São marcas que raramente dão algum problema e quase sempre estão com a manutenção em dia por terem donos cuidadosos e que rodam pouco com o carro" confirma Oswaldo Cruz, diretor da Motoracing Imports.

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